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Circuito Ferradura: minha primeira trilha, em SP

ATUALIZAÇÃO (17/6/2015): O acesso a essa trilha foi proibido, não é mais possível fazer o passeio.

 

Em um sábado no fim de maio, fiz minha primeira trilha (ou hiking), em Paranapiacaba, município de São Paulo próximo ao litoral. O trecho que percorremos é chamado de Circuito Ferradura por seu formato. Ou porque é ferrado pra fazer mesmo! O circuito é quase todo de pedra (boa parte com limo), atravessa 3 rios e, além de muita caminhada, tem muita escalada.
É o que chamam de “escalaminhada”.

Confesso que subestimei o “grau: difícil” lá no evento no Facebook quando fui convidado. Mas eu consegui. E agora vou compartilhar aqui essa doidera que vivi. E que me deu de presente lindas pinturas naturais pra guardar na memória.

O mais legal da trilha é ver aquilo tudo ao vivo. Sentar lá no topo das pedras pra descansar durante o dia e olhar aquela imensidão toda, aqui quase no quintal de casa, não tem comparação. Quando olhei pras belezas à minha frente, me impressionei. Quando olhei os obstáculos que iria ter que transpor, senti medo de travar o corpo e pensei em desistir.

Mas quando eu sentava pra descansar e olhava pra trás, me emocionava e isso dava força pra continuar.

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Fiz a trilha a convite da Gisely Bohrer, do blog A Montanhista e do namorado dela, o Junior. Também foi nesse passeio o meu parceiro de ExploraSampa, Rafa Kosoniscs, do blog Seu Mochilão, e mais 4 colombianos que estão morando no Brasil. Nosso grupo tinha um total de 11 pessoas, entre homens e mulheres.

Foram 15km percorridos em aproximadamente 10h, com 3 paradas pra comer, 2 pra se jogar nas piscinas naturais geladíssimas, passando por vários pontos de interesse de encher os olhos: Lago de Cristal, Cachoeira Escondida, Cachoeira Pedra Furada, Portal (de onde podemos ver a Garganta do Diabo e, mais pra baixo, o Vale da Morte), Cachoeira da Fumaça… Dá uma olhada no treklog que a Gisely fez e que marcou todo percurso que fizemos.

A Fumaça foi um dos trechos mais complicados, pois tivemos que subir quase que verticalmente por pedras muito escorregadias, passando pela água da cachoeira descendo forte e por barrancos onde só tinha terra solta pra nos segurarmos, deitados, olhando um vazio lá embaixo. Essa hora fiquei com bastante medo.

Um pouco antes, estava logo atrás da Gisely e ela escorregou e quase passou por mim. Eu estava olhando pras pedras, pra ver onde conseguiria colocar a mão pra subir. Meu instinto foi mais rápido que eu é estiquei a mão pra segurar ela deslizando ao meu lado. Só depois que segurei ela, me dei conta do que tinha acontecido, e processei o “segura” que o Junior tinha gritado pouco antes. Depois que ela conseguiu estabilizar e começou de novo a subir, meu coração disparou, mas não tive muito tempo pra pensar no que tinha acontecido. Eu estava ocupado demais focado em não cair eu mesmo.

Já estava com receio de atrasar o grupo por ser minha primeira trilha e eu ser, obviamente, mais lento. Mas consegui seguir o ritmo em boa parte do caminho. Me superei e me surpreendi. Pra mim, subir foi bem tranquilo até. Mesmo com os músculos da perna fatigados pela falta de exercício dos últimos meses e sendo a parte final da caminhada, consegui ir mais na boa.

Por incrível que pareça, a descida do meio foi o mais difícil pra mim. Tinham momentos em que tinha que descer sem muito apoio e sem conseguir ver direito onde estava descendo.

O Junior e o Thiago guiaram boa parte da trilha e ajudaram todo mundo a transpor os obstáculos mais difíceis.

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Eu me desafiei ao extremo em vários sentidos, fisicamente e psicologicamente. Logo na primeira parte da trilha, a mais sussa, enfiei o pé no rio e bati meu joelho forte (a dor acompanhou o caminho todo), eu tropecei, escorreguei, caí dentro de um outro rio que estávamos cruzando e bati a mão numa pedra fazendo um sangue pisado instantâneo, meus dedões do pé criaram bolha por conta da água dentro do tênis quase o caminho todo, fui picado por algum inseto e criou um calombo logo no começo da trilha perto do cotovelo, onde você bate toda hora se apoiando nas pedras. Além disso, minhas pernas, sem treino há alguns meses, começaram a tremer e perder as forças no final e bati os dois joelhos de todos os lados possíveis, o que gerou o maior desconforto durante o dia.

Mas é engraçado que boa parte disso lembrei depois de acabar a trilha e relaxar, ainda com o joelho dolorido e a perna sentindo o músculo cansado. Na hora, a carga de adrenalina que o corpo põe pra circular é tão forte que você nem pensa em mais nada.

Foi uma experiência e tanto. Chegando em casa, tomei um banho de roupa e tudo pra tirar o excesso de terra e barro. Não recomendo como primeira trilha, é bem pesada e você pode se traumatizar. Mas meu espírito explorador quer mais. Não tão pesada por enquanto. Mas acostumem-se, vocês verão mais trilhas por aqui.

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ATUALIZAÇÃO (17/6/2015):O acesso a essa trilha foi proibido, não é mais possível fazer o passeio.

 

Rafael Leick

Rafael Leick

Editor em ExploraSampa
Paulistano, publicitário e gerente de projetos. Morou em Londres, é fascinado por conhecer pessoas e considera viajar o melhor jeito de explorar a si mesmo. Até hoje, pôs os pés em 21 países e mais de 50 cidades, escreve sobre isso desde 2009 no Viagem Primata e em 2014 lançou o Viaja, Bi!.
Rafael Leick

17 Comments

  • Vinicius Goulart

    / Responder

    Tudo joia nego!? Eu viajei pelo Peru 2 meses no começo do ano e meus amigos de la vamos combinar para nos reencontrarmos aqui no Brasil, e achei essa tua trilha sensacional! Gostaria de saber se voce tem o contato de um guia da cidade e o valor dele para fazer esta trilha, se pode ir em qualquer dia, espero que veja o quanto antes essa mensagem, aguardo retorno, valeu!

    • Rafael Leick

      /

      Fala, Vinícius, beleza? Olha só, o acesso à essa trilha, infelizmente foi proibido, não é mais possível fazer. 🙁
      Se quiser, aqui tem outras opções de trilha. Espero ter ajudado. Abraço!

  • Adriano Ipaves

    / Responder

    Rafa, parabéns pelo post. Farei essa trilha dia 13/11/2016. Espero que de tudo certo. Uma dúvida é se nesta época de chuvas o trajeto piora muito? Você que já teve a experiencia, o que sugere?
    Abraços querido.

    • Rafael Leick

      /

      Valeu, Adriano! 😉
      Então, eu só fiz essa trilha uma vez, mas considerei ela com um nível considerável de perigo. 😛 Na chuva, deve sim, piorar.
      Mas, pelo que temos de informação, a trilha agora só pode ser feita com um guia credenciado, então, ele não vai te deixar em roubada.
      Valeu pela visita, meu caro! 😉

  • M@rcos

    / Responder

    Se Deus quiser faremos dia 14-05

  • Magno Lopes

    / Responder

    Bom Dia Pessoal,

    Tenho muita vontade de fazer esta trilha, porem nao sou especialista em trilhas rs..

    Alguem da uma dica ai para mim?

    • Rafael Leick

      /

      Oi, Magno.
      Eu também não era especialista, essa foi minha primeira trilha. Minhas dicas estão todas no post.
      Só fique atento que agora não se pode mais fazer essa trilha sem acompanhamento de guia credenciado, ok?
      Abs

  • Bruna Gramolelli

    / Responder

    Olá Pessoal, fiz a trilha dia 18/07/15, cheguei lá por volta das 8:30 da manhã e não tinha fiscalização nenhuma… Nenhuma guarita e nenhum fiscal também.

    Realmente é uma trilha perigosa e não indicada para iniciantes. Eu fiz com um amigo que mora na região e fizemos o circuito inverso.

    • Rafael Leick

      /

      Oi, Bruna.
      Que bom que deu tudo certo, mas como você falou é uma trilha perigosa. O ExploraSampa não recomenda a ida sem um guia credenciado.
      Se tiver um guia, vale muito a pena ver a natureza nessa região. 🙂
      Obrigado pelo comentário 😉

  • Rafael Kosoniscs

    / Responder

    Olá, Alessandro.
    Como o Leick informou, essa trilha está proibida, sendo assim, o acesso só é permitido através de guia credenciado. Este profissional irá auxiliá-lo no equipamento adequado, além de oferecer todo o amparo necessário para realizar este hiking. Se houver dúvidas sobre equipamento e trekking, possuo alguns artigos no meu blog http://www.seumochilao.com.br
    Um abraço,
    Kosoniscs

    • Alessandro

      /

      Obrigado Rafael, vou dar uma olhada.

      Você sabe alguma trilha na região de Paranapiacaba que não seja necessário o guia obrigatório e que tenha uma fauna e flora bonita quanto essa da Ferradura?

      De qualquer forma, onde eu contrato o guia para a trilha da Ferradura e quanto custa por pessoa?

  • Alessandro

    / Responder

    Boa noite Rafael,

    Cara muito obrigado pelo aviso sobre o guia e pelas dicas que você me deu, serão de grande importância meeesmo. Estamos levando corda, se o pessoal concordar eu vou amarrar ela em algum ponto de dificuldade e deixar ela lá para o pessoal que vim a fazer a trilha.

    Rafa, você sabe me dizer se esses guias que estão na trilha da Ferradura já colocaram cabines impedindo a passagem e se é necessário pagar para os guias locais da Vila para cursar a trilha? se sim, quanto?

    Eu desejaria fazer a trilha sem ter que pagar um guia, porque além do mais é um absurdo ter que pagar para ver a natureza. Concordo que tem que ter guias pagos pela prefeitura local para ajudar quem tem interesse, mas não que seja obrigatório e ainda por cima termos que pagar.

    Outra coisa Rafa…de qualquer forma você ou o Rafa Kosoniscs sabe onde tem uma trilha na região bonita quanto e que não precisa de guia obrigatório para cursar ela? De preferência acima de 5 horas e dificuldade média ou difícil.

    Pode deixar que vou rechear você com muitas fotos hahaha, se o meu pai deixar eu levar a câmera dele….:(

    Qualquer coisa se preferir tem meu facebook:

    alessandrordelima@hotmail.com

    Abraçoooos Rafa!!!

    • Rafael Leick

      /

      Oi, Alessandro.

      Nesse caso, os guias foram colocados por questões de segurança. Essa é uma trilha bem perigosa e os guias conhecem os melhores caminhos.
      Vou pedir pro Rafa Kosoniscs te passar as informações, ok?

      Se você for, aguardamos as fotos e relatos aqui 😉
      abraços

  • Alessandro

    / Responder

    Olá Rafael, adorei sua experiência!

    Eu vou iniciar essa trilha no dia 28/06 com alguns amigos. Uma grande parte assim como você não estava 100% preparado fisicamente, mas todos estão com cede de experiência e superação.

    Eu já acampei algumas vezes e fiz umas pequenas trilhas, já andei 20 km sem parar e sem água. Foi um erro muito grande, pois nos esquecemos a água com o grupo que seguia no carro e não tinha fontes para nos abastecer. Ocorreu tudo bem, graças a nossa persistência e Deus.

    Rafa, dessa vez não estou tão despreparados assim. Estamos levando Kit Primeiro Socorros, uma Enfermeira amiga e um amigo nosso que é policial do exército que tem certa experiência.

    Mas ainda me ronda uma dúvida…nos iremos fazer a trilha da Ferradura, Cachoeiras da Garganta do Diabo e do Anubis. No site Wikiloc diz que o percurso leva 9horas, mas poderá levar mais.

    Então eu estava pensando…

    *seria necessário para uma trilha dessas levar quais comidas? eu pesquisei mas quero saber o que seu grupo levou.

    *seria bom a gente levar alguns alimentos de fácil preparo para fazer lá em alguma fogueira? e quais seriam?

    *quais equipamentos que você considera mega importante para essa trilha que deve ser levado rafa?

    *eu tenho uma barraca de 3 espaços e um saco de dormi , seria necessário levar caso houvesse alguma emergência e alguém precisar?

    *Além da trilha toda, tem algum ponto que você recomenda ter atenção redobrada?

    Obrigado Rafa, grande abraço!

    • Rafael Leick

      /

      Oi, Alessandro.

      Valeu pelo comentário! Entendo super a sede de superação dessa galera.
      Depois da trilha, se puderem, voltem aqui pra contar como foi e compartilhar com a galera, ok? Indo preparado com kit de primeiros socorros, enfermeira e policial já estão bem preparados. 🙂

      Vale ressaltar que agora o acesso à trilha é proibido caso você não esteja com um guia credenciado, ok? E a fiscalização está forte no local.

      De qualquer forma, pra nossa trilha não levamos nem barraca e nem muita comida, só bolachas e comidas mais rápidas. Levamos água (que fomos enchendo no caminho também).
      De equipamento, eu não sou tão experiente assim, vou pedir pro Rafa Kosoniscs aqui do ExploraSampa também, te responder que ele manja mais dos paranauês. Mas acho ideal um calçado bastante aderente e sentimos falta de corda em alguns momentos.
      Se você achar válido levar uma barraca pra emergência, manda bala, mas é mais por precaução mesmo.

      No percurso que fizemos, recomendo atenção redobrada na parte mais próxima da Garganta do Diabo e principalmente pra subir a Cachoeira da Fumaça, que contei no post.

      Espero ter ajudado um pouquinho e volte pra contar como foi com fotos, ok?
      A trilha é incrível e tem muita natureza daquelas lindas de se ver 🙂

      Abraço e boa trilha! #ExploraSampa

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