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Lina Bo Bardi é tema de 2 exposições no Sesc Pompeia até domingo

Lina Bo Bardi foi uma arquiteta modernista ítalo-brasileira que no último dia 5 completaria 100 anos e que projetou alguns dos prédios mais icônicos de São Paulo e que, com certeza, você conhece e adora: o MASP (Museu de Arte de São Paulo) e o Sesc Pompeia.

Concebidos em momentos diferentes da história brasileira, ambos tornaram-se referência internacional de arquitetura, com estudantes do mundo todo baixando aqui na nossa cidade para conhecê-los de perto. Outra similaridade entre os dois projetos arquitetônicos é sua forte inserção sociocultural.

O MASP tornou-se um dos principais pontos turísticos da cidade, estampando souvenirs e trazendo exposições de grande relevância cultural pro prédio com vão livre de 74 metros (na época, considerado o maior do mundo) que quando foi inaugurado pela Prefeitura de São Paulo contou com a presença até da Rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Esse espaço, além da feirinha no fim de semana, é ponto de encontro e início pra manifestações sociais, como a Parada Gay ou políticas, como as que deram início às manifestações de junho de 2013.

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Lina Bo Bardi testa suporte de vidro para a Pinacoteca do MASP – Foto: Lew Parrella, 1967

Já o Sesc Pompeia representa, há cerca de 30 anos, um dos expoentes das manifestações culturais da cidade. Antiga fábrica de tambores e montadora de geladeiras, foi transformado numa instituição que traz uma vasta programação cultural, com todos os tipos de expressão artística.

Andar na Rua Central do Pompeia no final de semana é como entrar num caldeirão que fervilha uma diversidade de expressões artísticas, assim como São Paulo. Em uma caminhada de poucos metros, você se depara com intervenções circenses para as crianças, músicos “de rua” tocando marchinhas, um restaurante com uma comida incrível e barata, uma biblioteca, teatro com shows históricos e com nomes de projeção nacional e internacional, além de uma área de convivência que normalmente funciona como espaço para exposições.

“Numa cidade entulhada e ofendida pode, de repente, surgir uma lasca de luz, um sopro de vento. E aí está hoje a Fábrica da Pompeia, com seus milhares de frequentadores, as filas na choperia, o solarium índio do deck, o Bloco Esportivo: pequena alegria numa triste cidade.” (Lina Bo Bardi)

 

E, até esse domingo, é justamente nesse espaço que acontecem duas exposições que retratam a obra de Lina Bo Bardi, a cabeça arquitetônica por trás desses dois ícones da cidade e celebram seu centenário de nascimento.

A primeira, A Arquitetura Política de Lina Bo Bardi, apresenta os 3 mais simbólicos projetos de Lina. Além do MASP e do Sesc Pompeia, o Solar do Unhão (Salvador/BA) também é retratado com estudos, plantas, projetos, material fotográfico de acervo e documentos. Desenhos originais da arquiteta, fotos de como eram esses espaços ontem é como estão hoje, permeiam a exposição.

A Arquitetura Política de Lina Bo Bardi - Foto: Gal Oppido

A Arquitetura Política de Lina Bo Bardi – Foto: Gal Oppido

Três grandes caixas que representam cada um dos edifícios também apresentam documentários com falas da própria Lina e de várias pessoas que estiveram envolvidas em seus projetos. “O arquivo foi construído com base na pesquisa conceitual de trazer a maior quantidade possível de falas da Lina, dela expondo suas próprias ideias. Procurei deixar sempre que possível o material de terceiros na íntegra, sem cortes”, afirma Marcelo Machado, que trabalhou sob a orientação dos curadores André Vainer e Marcelo Ferraz, ambos colaboradores de Lina.

“O enorme sucesso desta primeira experiência na Fábrica da Pompeia denuncia claramente a validade do projeto arquitetônico inicial. (…) Fizemos aqui uma experiência socialista.” (Lina Bo Bardi)

 

A segunda exposição, inédita, é Lina Gráfica, que reúne ilustrações, desenhos originais, cartazes e outros tipos de ilustrações não arquitetônicas, além de projetos no âmbito do design gráfico, realizados por Lina Bo Bardi entre as décadas de 1940 e 1980, na Itália e no Brasil. Sob curadoria de João Bandeira e Ana Avelar, ela que foi tão conhecida pelos seus projetos de arquitetura tão marcantes, mostra uma outra faceta profissional, pouco explorada pelo grande público, incluindo trabalhos como ilustradora, desenhista de observação e programadora visual, com trabalhos em publicações, cartazes de filmes e peças de teatro e parte da sinalização do MASP e do Sesc Pompeia.

Lina Gráfica - Foto: Gal Oppido

Lina Gráfica – Foto: Gal Oppido

Lina Bo Bardi e São Paulo

A relação da arquiteta com a cidade começou no início dos anos 1950, quando chegou ao Brasil fugindo dos traumas e sensações da II Guerra Mundial com seu recente marido Pietro Maria Bardi. Sua ideia era morar no Rio de Janeiro, mas acabou se instalando em SP, e foi aí que projetou e construiu a sua Casa de Vidro, no bairro do Morumbi. É lá que funciona hoje o Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, criado em 1990.

Ainda na década de 1950, conheceu Assis Chateaubriand e aceitou o pedido de projeto do jornalista para construção de um museu, o MASP, que é considerado a obra prima da arquiteta. Lina também passou uma temporada em Salvador, onde executou o projeto de recuperação do Solar do Unhão.

Aqui em Sampa, realizou outras obras, como o Teatro Oficina, espaço da companhia de Zé Celso, referência na cena teatral alternativa na cidade. Além disso, em 1982, participou do concurso para o Vale do Anhangabaú com o projeto Anhangabaú Tobogã. Também com Vainer e Ferraz concebeu os estudos para as novas instalações do MAM-SP sob a marquise do Parque do Ibirapuera.

 

A ARQUITETURA POLÍTICA DE LINA BO BARDI / LINA GRÁFICA
De 8/10 a 14/12/2014. Terça a sábado, 10h às 21h; domingos e feriados, 10h às 19h.
Área de Convivência do Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Informações e programação: (11) 3871-7700, 0800-118220 ou sescsp.org.br
Não tem estacionamento.

Rafael Leick

Rafael Leick

Editor em ExploraSampa
Paulistano, publicitário e gerente de projetos. Morou em Londres, é fascinado por conhecer pessoas e considera viajar o melhor jeito de explorar a si mesmo. Até hoje, pôs os pés em 21 países e mais de 50 cidades, escreve sobre isso desde 2009 no Viagem Primata e em 2014 lançou o Viaja, Bi!.
Rafael Leick

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